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Crônicas - Júnior Azarado: Vaca brava

Vaca brava

José Francisco da Silva Júnior 

Era dia...e como vocês mesmos sabem amo a natureza. Minha infância foi em volta dela e por isso sinto tanta saudade. Todas as plantas, árvores e demais espécies da natureza foram destruídas para dá vida a um loteamento.
Meu redor ficou sem verde, porém me deixou grandes lembranças que jamais esquecerei. Continuando, era dia, junto com as minhas irmãs decidimos nos divertir no sítio, pegamos a corda e nos dirigimos ao sítio para fazer um balanço no pé de mangueira.

Minhas irmãs e eu juntamos várias frutas e levamos conosco para depois fazer um piquenique. Chegando no pé de mangueira escolhido, pegamos a corda e começamos a preparar o balanço. Depois de pronto, minhas irmãs vão buscar mais frutas, em específico araças. Eu amo araças!

Sozinho, decido aproveitar o balanço só para mim, sento e começo a girar a corda para soltar de uma vez. A corda já está totalmente enrolada e pronta pra mim girar, conto de um até três e giro. A corda gira rapidamente e já começo a ver as coisas ao redor embaraçadas.

Ainda girando, vejo vultos embaraçados e gritos vindo em minha direção. São minhas irmãs, elas vem gritando, pois avistaram uma vaca brava e a mesma está a correr atrás de ambas. Fico com medo, porém não consigo parar o balanço de girar.

Minha irmã mais nova grita:"Júnior, corre!  Lá vem a vaca brava!". Meu coração acelera e vendo tudo embaraçado me jogo do balanço, porém estou tonto e tentando correr tropeço e bato a cabeça no pé de manga. Minhas irmãs já estão um pouco distantes e vendo a vaca se aproximar de mim tento me levantar, porém caio novamente e de novo, de novo, e de novo.

Se arrastando no chão grito de medo:"Socorro!". A vaca se aproxima mais um pouco, mas por milagre do destino decide ir embora, a mesma da meia volta e some entre os pés de araçás.

Recuperado de todo giro que dei no balanço me recomponho. Minutos depois minhas irmãs aparecem e olhando um para o outro caímos na gargalhada. O dia foi arriscado, porém a lembrança está intacta, guardada na memória de uma criança que foi uma criança feliz.

E hoje, reflito! Reflito sobre minha infância e comparo com a da atualidade e concluo, as crianças esqueceram de brincar e as lembranças estão sendo apagadas por uma borracha como se fosse um rabisco no papel.


(Foto/Fonte: Uma vaca/ Google Imagens)

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